Aposentado. Contribuinte. Invisível nos documentos. Presente aqui.
Passei trinta e cinco anos na magistratura. Julguei processos que mudaram vidas, deferi liminares de madrugada, escrevi acórdãos que ninguém leu além das partes. Fiz isso com convicção. Com orgulho. E, durante todo esse tempo, acreditei que alguém estava cuidando da minha carreira enquanto eu cuidava da Justiça.
Estava enganado.
Não é uma crítica fácil de fazer. Mas é honesta. E honestidade é o único compromisso que o Homero Sincero tem com você.
Quando me aposentei, comecei a enxergar com mais clareza o que não conseguia ver de dentro. Vi o subsídio da magistratura ser corroído ano após ano, silenciosamente, sem que ninguém gritasse com força suficiente para ser ouvido. Vi colegas aposentados perderem direitos que julgavam garantidos pela Constituição. Vi decisões sendo tomadas em salas onde nenhum representante legítimo da magistratura tinha assento. E vi entidades que deveriam nos defender sentar à mesa, mas do lado errado.
O que mais doeu, porém, não foi o silêncio. Foi o abandono.
As associações que juraram nos representar, quando chegou o momento de escolher entre beneficiar a todos ou apenas beneficiar os ativos e largar os aposentados para trás, fizeram a escolha mais fácil. Abriram mão de nós sem cerimônia, como se aposentar fosse perder o direito de existir na pauta. Como se décadas de serviço pudessem ser descartadas numa negociação conveniente.
Eu tenho um jeito de dizer isso que ficou: numa guerra, os feridos a gente carrega. Não abandona. Não esquece. Não negocia por cima. Carrega.
Foi exatamente isso que as associações não fizeram. E foi exatamente esse compromisso, de nunca deixar os aposentados para trás, que o SINDMAGIS colocou no centro da sua proposta. Não como concessão. Como princípio. Um sindicato verdadeiramente inclusivo, que lute por uma política remuneratória una para ativos e aposentados, sem distinções artificiais, sem concessões que sacrifiquem uns para beneficiar outros.
Quando ouvi esse compromisso, reconheci nele algo que raramente se vê em entidades de classe: a coragem de não fazer o que é fácil.
Foi nesse cenário que comecei a produzir conteúdo. Não por vaidade. Não por militância vazia. Mas porque percebi que a narrativa sobre os direitos da magistratura estava sendo construída sem a nossa voz. E que alguém precisava falar, com clareza, sem eufemismos, sem medo de desagradar.
O Homero Sincero nasceu disso. De uma convicção simples: quem viveu trinta e cinco anos dentro do sistema tem a obrigação moral de falar sobre ele quando sai.
E foi nesse processo de falar que encontrei o SINDMAGIS.
Demorei para entender a diferença real entre uma associação e um sindicato. Não é apenas jurídica, embora seja também jurídica. É uma diferença de posição. Associação bate na porta. Sindicato tem legitimidade para entrar. Associação opina. Sindicato negocia. Associação representa quem quer ser representado. Sindicato representa a categoria, com força institucional reconhecida pela OIT, pelo Ministério do Trabalho, pelos tribunais.
Quando vi o SINDMAGIS entrar no Supremo Tribunal Federal com procuração, com mandado de injunção, com uma nota técnica de cinquenta e sete páginas defendendo o subsídio da magistratura nacional, entendi que estava diante de uma entidade que havia decidido ocupar o espaço que outros deixaram vazio.
Decidi apoiar. E decidi dizer isso publicamente.
Sei que alguns colegas aposentados vão estranhar. Vão perguntar: o Homero está abandonando a nossa causa? Preciso responder a essa pergunta com a mesma franqueza de sempre.
Não estou abandonando nada. Estou ampliando.
Cada magistrado ativo ou aposentado que se filia hoje é um aliado a mais na mesa onde os nossos direitos são discutidos. Cada voz que se soma é um argumento a mais que não pode ser ignorado. E um sindicato que assumiu o compromisso de nunca sacrificar os aposentados em nome de acordos convenientes vale, para mim, mais do que qualquer entidade que nos abandonou quando mais precisávamos.
Não estou trocando de lado. Estou construindo uma frente maior, com quem provou que carrega os feridos.
Há quem prefira lutar em grupos pequenos, fechados, confortáveis. Respeito. Mas aprendi, tarde, admito, que a política remuneratória da magistratura não será resolvida em grupos de WhatsApp. Será resolvida em plenários, em comissões interinstitucionais, em negociações formais onde apenas quem tem assento fala. E quem tem assento é quem se organiza com legitimidade jurídica para estar lá.
O SINDMAGIS quer estar lá. Está construindo esse caminho. E eu acredito nesse projeto, não cegamente, mas com a exigência de quem cobrou e vai continuar cobrando.
Fiz esses vídeos porque acredito que a informação muda comportamentos. Que um magistrado que entende a diferença entre associação e sindicato toma uma decisão mais consciente sobre a sua própria carreira. Que um aposentado que compreende o que está em jogo não vai ficar esperando que outros lutem por ele.
O link para filiação está aqui neste site. Não vou te convencer. Vou te informar. O resto é decisão sua, como sempre foi, como sempre deve ser.
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